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Redação11 de setembro de 201813min0
Vinhedos com 'dupla poda' desenvolvida pela Epamig crescem e já começam a ser premiados. Série 'Além Café' mostra culturas agrícolas da região.

Um setor que vem em pleno crescimento no Sul de Minas. A vinicultura, que começou ainda no final do século XIX, tem se desenvolvido e ganhou um novo mercado nas últimas duas décadas com a introdução da técnica de dupla poda, permitindo a produção de vinhos finos na região durante o inverno. O método tem ganhado adeptos e o produto já foi utilizado até para homenagear o cantor Milton Nascimetno, que cresceu em Três Pontas (MG).

Esta reportagem faz parte da série “Além Café”, produzida pelo G1 Sul de Minas, que mostra as apostas dos produtores em outras culturas na região, além do tradicional café. As reportagens apresentam exemplos como a olivicultura, a vinicultura, o crescimento da soja e os desafios do mercado da batata. A série também relembra reportagens da EPTV, afiliada Rede Globo, sobre as demais produções que movimentam a economia no Sul de Minas.

A técnica de dupla poda utilizada na região foi desenvolvida pelo pesquisador Murillo de Albuquerque Regina, da unidade de Caldas (MG) da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig).

“Essa técnica foi desenvolvida a partir da constatação que o clima ideal para fazer vinho fino de qualidade no mundo inteiro ocorre, aqui na nossa região, entre maio e julho. Quando para de chover, você tem dias ensolarados, noites frias e o solo seco. É isso que permite que a videira pare de crescer, foque a energia nos frutos e, com o pouco d’água, você tem a concentração de açúcares, de ácidos, de polifemóis para você fazer vinho fino”, explica Murillo.

Estudo e implantação

O trabalho começou ainda em 2000, com a realização de parcerias com empresas privadas para fazer testes com diversos tipos de uvas. Três anos depois os resultados começaram a sair e, mais um ano seguinte, a variedade syrah, que havia se saído melhor, começou a ser implantada nos primeiros vinhedos comerciais.

“Nós tratamos de tentar inverter o ciclo da planta, porque em condições normais, a nossa uva, que nessa época de agosto/setembro a gente está podando, ela vai crescer e colher em janeiro. E janeiro está chovendo. Então nós fizemos o contrário, nós podamos em janeiro para colher em julho”, conta o pesquisador.

A técnica funciona tanto para a produção de vinhos finos tintos quanto de brancos. Com a mudança e o ganho de qualidade, veio a demanda de diversos produtores não só da região, mas também de fora de Minas Gerais. Hoje vinhedos de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Bahia também já replicam essa forma de trabalho.

Com isso, a Epamig de Caldas se tornou uma das referências no assunto e hoje atende 20 produtores entre pequenos vinhedos e empresas. A vinícola local tem capacidade para produzir cerca de 60 mil garrafas por ano, mas o trabalho vai além.

“A Epamig passa a tecnologia do campo para esses produtores. Como eles investem no vinhedo e fica muito caro investir ao mesmo tempo no vinhedo e na vinícola, e construir uma marca e etc, a Epamig recebe as uvas nos primeiros anos e processa o vinho para eles”, diz.

É a Epamig também que registra o vinho junto ao Ministério da Agricultura. A empresa detém o registro provisoriamente até que o produtor tenha condições de montar a sua própria vinícola. Ou seja, faz a prestação de serviços até que quem produz tenha condições de se lançar efetivamente no mercado.

Produção e expansão

Aos poucos os produtores da região vao se firmando e crescendo. A área de vinhedos dedicado aos vinhos finos já chega a 300 hectares, sendo que somente neste ano, foram plantados cerca de 100 hectares.

“A estimativa nossa é que, dentro dos próximo três a cinco anos, quando todos esses vinhedos estiverem em produção, nós chegaremos a 1,5 milhão de garrafas por ano”, afirma Murillo.

Com isso, um novo mercado vai se abrindo como alternativa não só para o produtor rural, que passa a ter outra cultura como opção de fonte de renda, mas também para os trabalhadores e para o consumidor final, que ganha opções de qualidade dentro do mercado nacional.

“A gente pensa que no futuro nós vamos ter o vinho de serrado, o vinho da região cafeeira do Sul de Minas, o vinho fino da Serra da Mantiqueira. E aí sim, regionalização, tipificação, gourmetização associando esse vinho à condição do terroar dela e da qualidade regional”, afirma o pesquisador.

“Maria, Maria”

A busca de qualidade citada por Murillo já começa a dar frutos não só nos vinhedos, mas também no produto final. E um exemplo disso vem junto à uma homenagem a Milton Nascimento. O vinho “Maria, Maria”, produzido na Fazenda Capetinga, em Boa Esperança (MG), e que é processado na Epamig, já foi premiado na variação cabernet sauvignon.

Uma história que começa com uma curiosidade. O produtor Eduardo Junqueira Nogueira Neto conta que o pai sofreu um ataque cardíaco em 2005. O médico sugeriu, então, que ele tomasse vinho tinto, que faria bem ao coração (a ideia, no entanto, divide especialistas).

O pai, que já trabalhava com diversas culturas na fazenda, decidiu então estudar como poderia fazer o plantio de uvas para produção do próprio vinho e conheceu a técnica de dupla poda. O primeiro plantio de videiras veio em 2009.

“Acho que não tivemos nem mil garrafas de vinho nessa colheita. E acabou que a gente bebeu quase tudo, deu para os amigos, para as pessoas irem conhecendo. Mas essa primeira safra não foi comercial, os vinhos não foram nem rotulados”, lembra Eduardo.

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